segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Começar do Zero. Quem sabe eles entendem.

Jornalismo Mercadológico ou "Jornalismo Marketeiro"

De certa forma penso estar fazendo aqui uma homenagem ao velho mestre Mário L. Erbolatto que já partiu, para sorte dele, daqui faz algum tempo. Tive a honra de prefaciar uma de suas últimas obras atualizadas sob título: "Técnicas de Codificação em Jornalismo". A terceira edição deve ter saído lá pelo início dos anos 90.

No capitulo dois do livro: As castegorias do  Jornalismo, ele classificou o fazer jornalismo em quatro, - isto mesmo, apenas quatro - categorias a saber:
1 - Jornalismo Informativo
2 - Jornalismo Interpretativo
3 - Jornalismo Opinativo
4 - Jornalismo Diversional ( que coisa...?)

E no que se sustentava o mestre para dar ao jornalismo apenas 4 categorias, na verdade apenas 3 pois o tal Jornalismo Diversional, mesmo ele, no livro, como diriamos hoje, "escorregou na maionese". As tres categorias estavam embasadas nos três únicos aspectos (considerados até então) da divulgação de um fato:
1 - informação
2 - interpretação
3 - opinião

E o exemplo do mestre
1 - A informação - O Kremlim está lançando uma ofensiva de paz
2 - A interpretação - Por que o Kremlim tomou esta atitudee onde pretende chegar
3 - A opinião - Se posicionar contra ou a favor da atitude com argumentação embsada.

Esta simplicidade jornalística não bastava para levar o ofício até o fim dos tempos? Houve gente que entendeu que não. E logo as redações dos jornais começaram a ser segmentadas, divididas em guetos, equipes especializadas, editorias. Para não voltarmos muito no tempo fiquemos como sendo as editorias de Geral, Polícia e Esportes.

Como se pode perceber, tudo que não era assunto policial ou esportivo estava inserido na editoria de geral. Política: geral. Fosse ela a política que fosse: municipal, estadual, nacional e internacional. Finanças: geral. Economia: geral. Ciência: geral. Empresas: geral. Capital e trabalho: geral.

Com o tempo porém essa Geral ficou "geral" demais e também passou por divisões. E no mundo onde o capital praticamente manda em tuido e em todos, Economia deixou de ser geral. Mas a Ciência também ganhou estatus e desgeneralizou-se.

Assim, a cada estratificação daquele todo englobado por informação, intepretação e opinião, os segmentos mais fortes consolidavam-se e assumiam a condição de um Jornalismo Especial. O Jornalismo Econômico é o melhor exemplo, sem dúvida. E esta especialização do jornalismo ganhou tanta força no meio que acabou por se tranforma em disciplina nos cursos de jornalismo assim mesmo chamada: Jornalismo Especializado. E bastava pergntar ao professor o que significado daquilo para que um vasto e longo discurso acadêmico tentasse dar significado a coisa nenhuma.

Com o fortalecimento das ecolas com cursos de jornalismo pelo país todo a especialização virou regra, moda. E veio: Jornalismo Empresarial, Jornalismo Sindical, Jornalismo Social (de alta sociedade), Esportivo, Policial, Científico, Feminino, Infantil, Tecnológico, Religioso, Investigativo, Cultural... e já há até quem pense Jornalismo de Moda.

Por fim, se cabem tantos adjetivos ao jornalismo, certamente o meu "Mercakadológico" deve caber também. A grafia com k é apenas um detalhe que uso para remeter ao "marketeiro" que para muitos jornalistas não passa de mercador, mercenário, vendedor inescrupuloso...

É onde estamos hoje. Independente da especialização atribuida para si pelo profissional de jornalismo, a grande maioria está a fazer mesmo Jornalismo Merkadológico. O negócio é vender. E os exemplos vão aparecer aqui dia-a-dia. Os jornalistas especializados em merkado vendem de tudo, mas de tudo mesmo.

Esperem para ver. Até a próxima

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